Ferox Cap. 12
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Ferox

Capítulo 12 — 12-Incursio

Todos ali se assustam com a mão monstruosa. No impulso, Ajax pega um caco de vidro da janela quebrada e tenta cortar o braço que invadia a casa.
O golpe abre um corte profundo, de onde escorre um sangue pesado e grosso como petróleo, que espirra no rosto do garoto.
Zaio olha para Axel, assustado.
— Zaio: Que merda foi aquela? Aquilo nem no inferno seria um braço humano.
Minerva, nervosa, olha para Axel.
— Minerva: É muito parecido com aquele que vimos naquele dia no beco.
Cypsa se lembra imediatamente.
— Cypsa: Não pode ser... aquilo de novo?
Zaio olha para ela, confuso.
— Cypsa: Ah... você não estava lá...
As batidas na porta e nas janelas aumentam.
BUM!
BUM!
BUM!
O grupo inteiro se assusta. As garotas gritam.
A porta do quarto se abre de repente e Dante surge com a arma já em mãos, caminhando rapidamente até eles.
— Dante: Calma! Vocês sabem que porra é essa aí fora? Parece que tem dezenas deles!
Axel tenta se lembrar da aparência da criatura.
— Axel: Já vimos esse ser antes... Ele parece um sapo gigante e magro, cheio de dentes pontudos.
Dante franze a testa, mas apenas suspira.
— Dante: Ah... sinceramente, já não me impressiono mais com essas coisas.
Ele olha para as janelas.
— Dante: O problema é outro. Como vamos sair daqui? Parece que estamos cercados.
Marie olha para Zaio, assustada.
— Marie: Seria muito bom se um CERTO alguém virasse um monstro gigante e salvasse a gente agora.
Zaio reclama imediatamente.
— Zaio: Ah, mas meu poder não funciona assim, sua idiota!
Dante estala os dedos.
— Dante: Já sei! Eu, Zaio e Cypsa saímos lá fora e matamos todos eles.
Cypsa olha para Zaio.
Zaio olha para Cypsa.
Os dois olham para Dante.
E balançam a cabeça negativamente.
Dante suspira.
— Dante: Eu sei, seus idiotas. Mas eu também estou sem ideias.
Minerva, que estava quieta até então, cria coragem e fala.
— Minerva: E se... a gente fizer uma emboscada?
Todos olham para ela.
— Minerva: Se conseguirmos segurar os monstros por um tempo, talvez o Zaio consiga se transformar... e aí ele pode derrotar eles.
Por alguns segundos, ninguém responde.
Então Dante sorri.
— Dante: Quem diria... a pessoa que menos fala é justamente a que sabe fazer planos.
Minerva sorri, envergonhada.
Enquanto o grupo discute os detalhes, algo se move pelas sombras da casa.
Silenciosamente.
Observando.
A criatura rasteja pelas paredes e pelo teto, aproximando-se sem que ninguém perceba.
Então...
CRASH!
Um dos monstros invade a sala com um salto brutal.
O impacto lança Dante contra uma parede.
Os garotos são derrubados.
Cypsa reage imediatamente.
Fungos surgem ao redor de suas mãos e são disparados contra a criatura.
Mas o monstro desvia.
O ataque atravessa a janela destruída.
Num movimento rápido, a criatura chuta Cypsa, arremessando-a pelo chão.
Então ela encontra outro alvo.
Marie.
A garota está caída no chão.
Paralisada de medo.
O monstro se aproxima lentamente.
Cada vez que abre a boca, o cheiro de carne podre fica mais forte.
Seus dentes tortos e afiados aparecem na escuridão.
Marie fecha os olhos.
Aceitando o próprio destino.
Mas nada acontece.
Ela abre os olhos devagar.
À sua frente está uma enorme puma negra.
Tão escura que parecia absorver a luz ao redor.
Os únicos detalhes visíveis eram seus olhos vermelhos brilhando na escuridão.
O Dionpuma.
Marie olha para o lado.
O monstro está morto.
O pescoço completamente destruído.
Ela entende imediatamente.
Lágrimas surgem em seus olhos.
Ela abraça a criatura.
— Marie: Ah... obrigada, Zaio...
Ela encara os olhos vermelhos da puma.
— Marie: Agora vai lá destruir eles.
Ela sorri.
— Marie: Eu confio em você.
A puma apenas a observa por alguns segundos.
Depois se afasta.
O grupo rapidamente se reorganiza.
Dante se levanta e aponta para os outros.
— Dante: Certo! Agora que o Zaio finalmente virou bicho, vamos fazer o seguinte.
Ele aponta para Cypsa.
— Dante: Cypsa,quero que ataque a distância os monstros com seus poderes
Depois aponta para si mesmo.
— Dante: Eu vou chamar a atenção deles usando o carro.
Ele olha para Zaio.
— Dante: E você faz o que sabe fazer melhor.
Zaio, ainda transformado, apenas concorda com a cabeça.
Os três seguem para a garagem.
Cypsa e Zaio aguardam enquanto Dante entra no carro.
Segundos depois...
VRUUUM!
O motor ruge.
Dante pisa fundo no acelerador.
O carro atravessa o portão e atropela vários monstros enquanto circula pela casa.
Logo em seguida, Zaio e Cypsa entram em ação.
Cypsa faz enormes massas de fungos explodirem as cabeças das criaturas.
Outras são controladas por ela e passam a atacar seus próprios aliados.
Enquanto isso, Zaio corre pela escuridão.
Salta de um monstro para outro.
Suas presas rasgam carne e ossos como se fossem papel.
A luta continua.
Então um dos monstros consegue agarrá-lo.
As mandíbulas se fecham sobre sua perna.
Zaio rosna de dor.
Mas, antes que a criatura consiga continuar o ataque...
BOOM!
A cabeça do monstro explode.
Cypsa o havia salvado.
Zaio se afasta mancando.
Agora ferido, passa a permanecer mais próximo dela.
Cypsa percebe isso e sorri levemente.
— Cypsa: Deixa eu mostrar como se faz.
Ela estende a mão.
Uma enorme área de fungos se espalha pelo terreno.
Os monstros começam a enlouquecer.
Uns atacam os outros.
Outros simplesmente se destroem.
Ao longe, Dante grita pela janela do carro.
— Dante: FALTAM POUCOS!
— Cypsa: TÁ!
Mas essa distração quase custa caro.
Um dos monstros surge por trás dela e tenta arrancar seu braço.
Antes que consiga...
Zaio aparece.
Mesmo ferido.
Mesmo cansado.
Ele atravessa a criatura com as presas.
Cypsa fica surpresa.
Por um momento, apenas o observa.
Então sussurra:
— Cypsa: Obrigada...
Pouco depois, o último monstro cai.
O silêncio finalmente retorna.
Zaio volta à forma humana.
Seu corpo cede.
E ele desaba no chão.
A porta da casa se abre.
Os outros finalmente saem.
Observam a destruição espalhada pelo terreno.
Dante cruza os braços.
Olha para todos.
E diz:
— Dante: Certo.
Pausa.
— Dante: Vocês limpam isso tudo.