Ferox Cap. 9
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Ferox

Capítulo 9 — 9-Fungus

Axel olha para a novata e depois lança um olhar de canto para Marie, com uma expressão duvidosa. Após terminar sua apresentação, a garota se senta algumas cadeiras à frente. Axel sussurra para Marie:
— Axel: Marie... cê viu? Uma pessoa nova...
Marie responde no mesmo tom, olhando para ele.
— Marie: Vi sim... será que ela é legal?... Não me parece uma pessoa ruim...
Axel volta o olhar para o quadro e responde calmamente:
— Axel: É verdade... devíamos deixar de ser tão fofoqueiros, né?
Os dois riem baixinho e voltam a prestar atenção na aula.
Mais tarde, no recreio, Marie espera na fila para comprar seu lanche quando sente um toque em seu ombro. Ao se virar, vê Cypsa, que sorri amigavelmente.
— Cypsa: Ah, olá! Prazer. Acho que somos da mesma turma. Eu tô meio confusa pra comprar o lanche... como funciona aqui?
Marie a olha e responde com calma:
— Marie: Prazer, sou Marie. Claro. É o seguinte: tu compra a ficha aqui nessa fila que eu tô, aí vai pra outra fila e compra o lanche. Entendeu?
Cypsa sorri, mais contente.
— Cypsa: Ah, sim! Muito obrigada. Esse colégio é bem diferente do meu antigo, sabe?... Tem bem mais gente aqui. Espero conseguir me enturmar.
Marie sorri.
— Marie: Ah, relaxa. Você vai sim. Se quiser, pode se sentar com meus amigos. A gente é super de boa. Sempre é bom ter gente nova no grupo. Só não dá moral pro Ajax, aquele cara não vale nada...
Cypsa sorri meio tímida. Depois que as duas pegam seus lanches, vão até onde o resto do grupo está conversando.
Assim que chegam, Cypsa sorri e se apresenta:
— Cypsa: Prazer, pessoal. Me chamo Cypsa... como vocês se chamam?
Axel é o primeiro a responder.
— Axel: É um prazer. Me chamo Axel. Espero que goste do colégio.
Minerva, tímida, fala em seguida:
— Minerva: É... ah... um prazer conhecê-la. Sou Minerva. Espero que possamos ser boas amigas.
Ajax, que estava jogando no celular, leva um leve chute na perna dado por Axel. Ele olha para cima, vê Cypsa e se perde completamente no raciocínio.
— Ajax: Ah... é... me chamo... prazer... Ajax... conhecê-la...
Ele balança a cabeça e tenta recuperar a compostura.
— Ajax: Prazer. Me chamo Ajax. Espero que possamos ser ótimos amigos...
Axel ri levemente, e Ajax fica irritado consigo mesmo.
((Corte))
Atena está em sua sala olhando para um computador. Na tela, há uma espécie de GPS com um ponto destacado.
— Atena: Parece que está tudo em seu devido lugar... Assim que conseguir algum sinal, quero que você libere a parte dois do nosso plano, ok?
Um cientista que escrevia em uma prancheta apenas concorda com a cabeça e sai da sala.
Atena fala para si mesma:
— Atena: Que vença a melhor arma...
((Corte))
De volta ao grupo, todos aceitaram Cypsa com facilidade.
No meio da conversa, Minerva pergunta:
— Minerva: Gente... vamos voltar pra casa juntos hoje ou alguém vai fazer alguma coisa no colégio à tarde?
Axel tenta puxar algo da memória antes de responder:
— Axel: Hoje fui liberado, então pra mim tá de boa.
Marie fala calmamente enquanto mexe no celular:
— Marie: Eu não vou ficar pras aulas da tarde, então também acompanho vocês hoje.
Ajax fala logo em seguida:
— Ajax: Hoje não tem treino, então pra mim tanto faz.
Minerva sorri e pergunta para Cypsa:
— Minerva: O que me diz, Cypsa?... Quer ir com a gente?
Cypsa sorri alegremente e concorda.
— Cypsa: Claro! Minha casa não é longe, então aceito sim.
O grupo sorri, e o sinal toca para voltarem à sala de aula.
Mais tarde, o grupo sai do colégio e começa a caminhar.
Ajax comenta:
— Ajax: Diz aí, quando vamos ver o idiota do Zaio? Do jeito que ele é, deve estar se sentindo abandonado pelos queridos amigos.
Axel retruca:
— Axel: Sabe... do jeito que são os treinos do meu tio, ele deve estar mais preocupado em sobreviver até amanhã.
Marie e Minerva riem.
— Minerva: Tenho até um pouco de pena dele... O Dante não alivia nunca pro Zaio. Logo ele, que já é meio pirado das ideias.
Cypsa, que escuta a conversa, toca o braço de Marie.
— Cypsa: Zaio?
Marie sorri.
— Marie: Ah, é só um amigo nosso que se mudou pro interior e agora mora com o tio do Axel. É uma longa história, sabe? Ele é tipo o Ajax, só que com cara de zumbi e uma energia nada contagiante...
— Cypsa: Ah, entendi... É um bom amigo de vocês, né?... Espero conhecê-lo um dia.
Passando perto da casa de Minerva e Marie, o grupo entra em um beco que costumam usar como atalho.
— Ajax: Pô, vocês moram onde Judas perdeu as botas, sabia?... Vocês duas ainda vão me pagar duas canelas novas por vir até aqui...
Axel bate de leve na cabeça dele.
— Axel: Uma coisa que você e o Zaio têm em comum é falar besteira a cada segundo que abrem a boca.
As garotas riem.
De repente, um barulho vem de um caixote de lixo próximo.
Todo o grupo se vira para olhar.
As garotas imediatamente vão para trás de Ajax e Axel, que também se assustam, mas tentam manter a compostura.
Axel olha ao redor e encontra um pedaço de madeira no chão.
— Axel: Deve ser só um gato, né?... Hehe...
— Ajax: E por que você não vai lá ver o "gatinho", então?!
Axel inventa uma desculpa.
— Axel: Ah... porque seria idiota, né?
— Ajax: Medroso.
Cypsa fala, ainda nervosa:
— Cypsa: É melhor voltarmos... tem que ser muito corajo—
Sem pensar, Ajax anda até o caixote de lixo e tenta ver o que está escondido atrás dele.
Então, de repente, algo salta.
Um ser humanoide de um olho só.
Sua pele era úmida, enrugada e de cor acinzentada, parecida com a de um sapo, mas coberta de sujeira e manchas,as mãos possuíam garras tortas e afiadas. Sua boca era enorme, cheia de dentes tortos e irregulares, com restos de lixo presos entre eles.
O monstro ruge.
Ajax grita e cai para trás.
A criatura avança em sua direção.
Ajax trava completamente, pálido, incapaz de mover um único músculo.
Axel corre e golpeia o monstro com o pedaço de madeira.
O sangue escorre pela cabeça da criatura.
Ela lentamente vira seu único olho na direção de Axel.
Então salta.
As três garotas gritam de medo.
O monstro prende Axel contra a parede.
Axel tenta socar sua barriga, mas, preso daquela forma, não consegue colocar força suficiente.
Ajax, no impulso, pega uma lasca da madeira quebrada e a enfia na panturrilha da criatura.
O monstro ruge de dor.
Então abre a boca e encara Axel, pronto para arrancar um pedaço de seu pescoço.
Marie e Minerva observam aquilo aterrorizadas, abraçadas uma à outra.
Nesse instante, um amontoado de fungos salta por cima delas.
Os fungos atingem a cabeça da criatura.
E explodem.
A cabeça do monstro se desfaz.
Sangue voa contra a parede.
Inclusive em Axel.
Os quatro, com os olhos arregalados, olham para a origem daquele ataque.
E ali está Cypsa.
Com o braço esticado em direção ao monstro.
E um olhar nervoso estampado no rosto.